sexta-feira, 15 de agosto de 2008


Entre os dias 27 de junho e 6 de julho deste ano, o Instituto Vox Populi realizou, por encomenda da Associação dos Magistrados do Brasil, um survey de âmbito nacional. Entre seus objetivos, buscou-se investigar as opiniões e posicionamentos da população brasileira a respeito de temas políticos eleitorais.

No geral, a imagem expressa pela opinião pública através da pesquisa é absolutamente desabonadora em pelo menos dois grandes sentidos. É certamente lamentável a percepção que se tem dos agentes políticos, mas é pelo menos duvidosa a experiência da população com a cidadania. Inevitável perceber que as relações entre uma e outra constatação são umbilicais. Senão, vejamos.

Conforme aferido pelo Vox Populi, no que diz respeito ao próprio processo eleitoral, há forte percepção de que o voto em um candidato ainda pode ser decorrente do medo de perda do emprego. Da mesma forma, vantagens pessoais permanecem sendo motivos de barganha no período eleitoral. Pior: as eleições não são isentas de suspeitas de fraude.

Quanto à vida política propriamente dita, opinião com forte penetração popular sugere que a atividade parlamentar beneficiaria antes o político que o eleitor. Mais a mais, os eleitos não cumprem promessas. E, como contariam com a certeza da impunidade em relação a seus membros, as instituições representativas tornam-se objeto de desconfiança. Sobre o papel do eleito, as opiniões são, no mínimo, surpreendentes. Conforme a constituição, uma enorme maioria atribui ao representante do povo discutir e aprovar projetos. No entanto, com uma boa participação, ainda há quem veja ser sua a responsabilidade de pagar despesas de hospital e enterro para pessoas necessitadas.

Na contramão desse quadro que poderia ser descrito como pessimista, há manifestações que insinuam mudanças em andamento. Assim, o segredo do voto já é compreendido como inviolável. A relação de troca de favores pelo voto é desprezada por um contingente surpreendente de pessoas. Com baixíssima participação social e política na vida pública, entretanto, os eleitores tendem a manifestar maior confiança nos candidatos que nos partidos. Ainda assim, caso as eleições não fossem obrigatórias, variando entre as regiões do país, entre 58% de eleitores e 75% permaneceriam freqüentando as urnas.

Passíveis de leituras diversas, os resultados da pesquisa sinalizam, portanto, como apontávamos no início, dois sentidos muito entrelaçados de questões. Por um lado, a existência de uma percepção majoritária de um político cujo perfil é, predominantemente, o de reproduzir o atraso no campo da cidadania. Por outro, um eleitor que ainda joga esse jogo dentro das regras da negação de seus próprios direitos.



A pesquisa completa pode ser encontrada em http://www.amb.com.br.


Um comentário:

Francisco José Gonçalves disse...

Muito boa sua análise, esperamos que os candidatos desconhecidos cheguem a mente do eleitor, para saber sobre suas propostas para nossa cidade. O Edinho chegou a ganhar a primeira, diante da situação naquela época, marcou uma oposição forte contra todos e ainda teve ajuda da mídia local falada, todos sabem quem foi responsável.