




O tamanho do problema só ocorreu quando uma pessoa narrou momentos de sua infância e parte de sua adolescência. Com nostalgia, recordou a existência do zoológico, os espaços livres e as condições ideais para piqueniques em família. Lembrou o significado do Pinheirinho para “um monte” de guris de uma geração que não reconhece mais o parque.
Neste domingo passado, quem visitasse aquele enorme espaço, não poderia “ver para crer”. Na entrada, a porta da guarita fechada. Ninguém fiscalizava o ir e vir de pessoas. No caminho, além de uma via extremamente mal tratada, o mato fazia sentir despudoradamente sua presença. Os buracos cheios de água tornavam, senão impossível, difícil o acesso por moto.
Carro estacionado, uma volta a pé e a constatação das condições gerais das instalações conduz à tristeza. Aquilo que já foi um centro de turismo regional é, hoje, abandono puro. Com exceção dos bombeiros, nenhum outro sinal de autoridades. E o descaso não é percebido só por esse sinal. A cantina está fechada. Os banheiros tornaram-se um desafio para quem quer que deles necessite. No feminino, o basculante tem seus vidros quebrados. As lâmpadas internas não existem. A externa está quebrada. As pias não têm bicas. Os boxes têm fiação exposta e, além de pichações, esquecida, pelo menos uma camisinha usada. A sujeira se fazia notar com algum estardalhaço.
Os bancos e mesas de concreto quebradas não chegam a ser regra. Reduzem, no entanto, os espaços para as famílias se acomodarem. Indiferente, um cachorro posa para uma foto ao lado de uma placa que anuncia ser proibida a circulação de cães no Pinheirinho (as fotos estão em http://esquinasequarteiroes.blogspot.com/). Mais adiante um grupo de jovens faz circular entre eles um cigarro que, aparentemente, os fazia ver mais alegremente o céu cor azul abundante.
Algumas pessoas tomavam banho. Ao ser perguntado sobre as condições da água, um bombeiro diz não saber e sugere uma consulta à CETESB. Um especialista em meio-ambiente tampouco possuía um laudo técnico. Mas deixou suspeitas. A água pluvial que escorre de uma grande empresa parece trazer para a nascente do Córrego Pinheirinho detritos dos mais variados tipos. Além de provocar erosão, deve contaminar a água da represa. É algo que ocorre há tempo suficiente para tornar mais agravante o quadro de abandono do parque.
Quanto à areia, essa, aparentemente, nenhum dos bombeiros consultados mostrou desejo ter um montinho dela para aquários domésticos. Aliás, mencionados os bombeiros, é mais que hora de pensar, ao lado da recuperação e dos cuidados na manutenção e guarda do local, em providenciar instalações adequadas para que eles pudessem zelar, da forma mais adequada possível, pela prevenção de acidentes.