A divulgação da mais recente pesquisa DataPress pela Tribuna Impressa, além de informar o leitor sobre a conjuntura eleitoral, está provocando o início de um debate cuja importância não é desprezível. Entre o conjunto de idéias que permeiam as opiniões já manifestas, três delas talvez possam ser mais bem qualificadas. A primeira diz respeito à noção de eleitorado “cativo”.
No rigor, a essa altura da campanha, os resultados da enquete já indicam que cada um dos três candidatos qualificados como “principais” por esta Tribuna possui um estoque de votos que, aparentemente, está à sua disposição e de mais ninguém. Por ordem, consideradas as expectativas de intenções de votos “decididos”, De Santi tem à sua disposição 21,6% do eleitorado, Barbieri 19,6% e Edna 16,6%. Enquanto ponto de partida, a diferença de 2% entre os dois primeiros colocados não parece ser marcante o suficiente para definir comportamentos eleitorais marcados pela acomodação. Menos ainda para estabelecer uma noção de “cativeiro” de votos que, em definitivo, seja decisivo para a campanha.
A segunda, diretamente relacionada à primeira, sugere a existência de uma “fatia do eleitorado
” de Barbieri que é disputada por De Santi. Os dados mostram que isso é apenas meia-verdade. O que o processo eleitoral está sinalizando é a existência de um perfil de eleitor que se insinua entre as candidaturas, podendo ser atraído por, no mínimo, duas delas. É o que expressam as informações colhidas pelo DataPress sobre a indecisão no interior das indicações de voto para cada um dos candidatos. Assim é que, entre os possíveis eleitores de Barbieri, 3% podem migrar para as urnas de De Santi, outros 3% podem chegar a Edna e 2% estariam indecisos sobre o destino final de seus votos. Observada de perto, a cesta de intenções de voto de De Santi ainda é movediça o bastante para ver como possibilidade a migração de 3,5% de votos para Marcelo, 1% para Edna e 2% sem direção já determinada. Finalmente, Edna pode entregar 2% para Barbieri, 1% para De Santi e ver 1.5% do eleitorado fugir em qualquer direção. Em síntese, há um número significativo de intenções de votos que não está consolidado e pode ser ganho, ainda, por qualquer um dos pretendentes ao cargo de prefeito.
A terceira impõe às candidaturas perfis político-ideológicos de difícil comprovação. Segundo a hipótese que a sustenta, seria fácil atribuir a De Santi o perfil de direita, a Marcelo o semblante de centro e a Edna o de esquerda. Facilitaria muito nossas vidas, acostumados que estamos a usar estereótipos. Ocorre que dificilmente encontraríamos critérios para uma definição dessa natureza. É uma hipótese que, em primeiro lugar, desconsidera os dados recém lembrados. Eles nos dizem que cada uma das candidaturas recolhem eleitores que admitem saltar de um lado a outro das fronteiras existentes entre candidaturas. Em segundo lutar, as coligações são suficientemente amplas para aproximar a “direita” da “esquerda”, a “esquerda” da “direita” e ambas do centro. Depois, entre os motivos que os eleitores encontram para justificar a intenção de voto declarada, as qualidades pessoais do candidato predominam de maneira ostensiva. Em Barbieri e Edna ainda podemos localizar manifestações voltadas seja para a importância dos partidos, seja para a natureza de suas propostas. Mas nos dois casos mal chegam a 20% do conjunto das justificativas. Finalmente, ainda que os programas de governo não estejam, em definitivo, em praça pública, a acreditar naquilo que já foi ressaltado em entrevistas, há uma matriz comum de preocupações sociais, de questões econômicas e de soluções urbanas que, não obstante matizes, orientam os discursos políticos de cada um dos candidatos. Em qualquer caso, desde o ponto de vista da percepção do eleitor, salvo pesquisas mais específicas, identidades eleitorais claramente demarcadas parecem passar ao largo das definições tradicionais de direita, esquerda e centro.
No rigor, a essa altura da campanha, os resultados da enquete já indicam que cada um dos três candidatos qualificados como “principais” por esta Tribuna possui um estoque de votos que, aparentemente, está à sua disposição e de mais ninguém. Por ordem, consideradas as expectativas de intenções de votos “decididos”, De Santi tem à sua disposição 21,6% do eleitorado, Barbieri 19,6% e Edna 16,6%. Enquanto ponto de partida, a diferença de 2% entre os dois primeiros colocados não parece ser marcante o suficiente para definir comportamentos eleitorais marcados pela acomodação. Menos ainda para estabelecer uma noção de “cativeiro” de votos que, em definitivo, seja decisivo para a campanha.
A segunda, diretamente relacionada à primeira, sugere a existência de uma “fatia do eleitorado
” de Barbieri que é disputada por De Santi. Os dados mostram que isso é apenas meia-verdade. O que o processo eleitoral está sinalizando é a existência de um perfil de eleitor que se insinua entre as candidaturas, podendo ser atraído por, no mínimo, duas delas. É o que expressam as informações colhidas pelo DataPress sobre a indecisão no interior das indicações de voto para cada um dos candidatos. Assim é que, entre os possíveis eleitores de Barbieri, 3% podem migrar para as urnas de De Santi, outros 3% podem chegar a Edna e 2% estariam indecisos sobre o destino final de seus votos. Observada de perto, a cesta de intenções de voto de De Santi ainda é movediça o bastante para ver como possibilidade a migração de 3,5% de votos para Marcelo, 1% para Edna e 2% sem direção já determinada. Finalmente, Edna pode entregar 2% para Barbieri, 1% para De Santi e ver 1.5% do eleitorado fugir em qualquer direção. Em síntese, há um número significativo de intenções de votos que não está consolidado e pode ser ganho, ainda, por qualquer um dos pretendentes ao cargo de prefeito.A terceira impõe às candidaturas perfis político-ideológicos de difícil comprovação. Segundo a hipótese que a sustenta, seria fácil atribuir a De Santi o perfil de direita, a Marcelo o semblante de centro e a Edna o de esquerda. Facilitaria muito nossas vidas, acostumados que estamos a usar estereótipos. Ocorre que dificilmente encontraríamos critérios para uma definição dessa natureza. É uma hipótese que, em primeiro lugar, desconsidera os dados recém lembrados. Eles nos dizem que cada uma das candidaturas recolhem eleitores que admitem saltar de um lado a outro das fronteiras existentes entre candidaturas. Em segundo lutar, as coligações são suficientemente amplas para aproximar a “direita” da “esquerda”, a “esquerda” da “direita” e ambas do centro. Depois, entre os motivos que os eleitores encontram para justificar a intenção de voto declarada, as qualidades pessoais do candidato predominam de maneira ostensiva. Em Barbieri e Edna ainda podemos localizar manifestações voltadas seja para a importância dos partidos, seja para a natureza de suas propostas. Mas nos dois casos mal chegam a 20% do conjunto das justificativas. Finalmente, ainda que os programas de governo não estejam, em definitivo, em praça pública, a acreditar naquilo que já foi ressaltado em entrevistas, há uma matriz comum de preocupações sociais, de questões econômicas e de soluções urbanas que, não obstante matizes, orientam os discursos políticos de cada um dos candidatos. Em qualquer caso, desde o ponto de vista da percepção do eleitor, salvo pesquisas mais específicas, identidades eleitorais claramente demarcadas parecem passar ao largo das definições tradicionais de direita, esquerda e centro.
(Publicado originalmente em A Tribuna Impressa de 13/08/08, 1º Caderno, p. 4)
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