segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Compromissos pela qualidade da educação em Araraquara 4

Com vistas a um debate em torno de questões a serem propostas ao “Fórum Araraquara 190 Anos. Educação, compromisso de todos”, do dia 7 de agosto de 2007, até o dia 29, véspera do evento, estaremos sistematizando os tópicos levantados nos debates a serem realizados até lá.

Ø Na medida da necessidade de reconhecer no aluno o sujeito de suas experiências e de seu futuro, criar um ambiente propício à realização de projetos pedagógicos compatíveis a seu processo de desenvolvimento. Audiência Pública, Câmara Municipal, 09/08/07)

Ø Visando preservar o imperativo ético profissional dos trabalhadores da educação, garantir remuneração digna e condições de trabalho adequadas às exigências de uma docência de qualidade. (Audiência Pública, Câmara Municipal, 08/08/07)

Ø Com base em diagnósticos periódicos, transformar os problemas de cada escola, não importa se estadual ou municipal, em um problema do povo de Araraquara, unindo esforços privados e públicos em sua solução. (Audiência Pública, Câmara Municipal, 07/08/07)

Ø Aprimorar a participação da comunidade nos destinos da educação através do fortalecimento de sua representação nos Conselhos de Escola. Dar vida ao lema Vamos aos conselhos! Vamos mudar a educação! (Audiência Pública, Câmara Municipal,06/08/07)

Um ambiente que favoreça o aluno



A audiência pública promovida quinta-feira, dia 10/08/07, pela vereadora Edna Martins na Câmara Municipal de Araraquara, no quadro do “Fórum Araraquara 190 anos. Educação, um compromisso de todos” procurou trazer a público a voz dos alunos do ensino básico. É curioso notar que parte do tempo de debates foi dedicada a uma discussão em torno da carteirinha de estudante. Defendida pelos alunos ligados a entidades de representação estudantil como símbolo e instrumento de sustentação do movimento, foram questionadas como desnecessária e cara por muitos dos presentes. Houve quem reivindicasse, em troca da ênfase na carteirinha, um papel de fiscalização das entidades estudantis em relação ao que se passa na escola.

No que diz respeito à avaliação sobre as condições em que recebem a educação escolar, houve ênfase em alguns tópicos já colocados pelos segmentos dos pais, professores e diretores. Assim é que as reclamações em torno dos laboratórios de informática e das bibliotecas também estiveram presentes aqui. A questão das condições de trabalho dos professores foi identificada como assunto sério a partir do olhar daquele que é receptor de seu investimento em sala de aula. Não poucos alunos percebem os professores como desmotivados, reclamam da falta de aulas por licenças e afastamentos e não vem nos substitutos improvisados solução para as ausências. Avaliam que as apostilas são, pelo menos em alguns casos, muito resumidas, a ponto de não propiciarem a compreensão. Não aceitam que não possam levar livros para casa. Não compreendem como escolas com salas de aulas trancadas abrigam classes com mais de quarenta alunos. Criticam as salas de informática fechadas, os aparelhos danificados, a ausência de monitores e o escasso uso da internet. Há reclamações quanto à qualidade ou ausência da merenda, dependendo da escola. No uso de laboratórios, quando funcionam, como no Industrial, com alguma freqüência, precisam pagar por algum material. Um aluno sinalizou, lamentando, que o diretor não tenha autonomia para solucionar os problemas da escola.

Alunos abandonam a escola ou porque precisam trabalhar ou porque, quando meninas, ficam grávidas. Mas não é difícil passar de ano. ““Me saí” bem porque copiei a matéria da lousa”. “Ainda que não assista às aulas às sextas-feiras, porque, na minha escola as sextas à noite são vazias, nunca tivemos faltas anotadas”.

Se bem que reivindicado que os professores “precisam falar a linguagem dos alunos, ser amigo dos alunos”, foi denunciado também que os alunos precisam ter respeito pelos professores”.

Como facilitar o primeiro emprego? Como introduzir o estágio no ensino médio? Isso é possível? Foi lembrado que os alunos não têm perspectivas dadas pelos governos. Eles constroem suas próprias perspectivas.

Deveria existir espaço para a arte na escola. “Os talentos, foi mencionado por um aluno que faz música, às vezes, a gente descobre do nada”. “Música também é profissão”.

Em síntese, na linguagem de uma aluna, é necessário criar um ambiente em que o aluno se sinta bem. O “negócio é juntar todo mundo para resolver os problemas”.




Compromissos pela qualidade da educação em Araraquara 3


Com vistas a um debate em torno de questões a serem propostas ao “Fórum Araraquara 190 Anos. Educação, compromisso de todos”, do, dia 7 de agosto de 2007, até o dia 29, véspera do evento, estaremos sistematizando os tópicos levantados nos debates a serem realizados até lá.
Ø Visando preservar o imperativo ético profissional dos trabalhadores da educação, garantir remuneração digna e condições de trabalho adequadas às exigências de uma docência de qualidade. (08/08/07)
Ø Com base em diagnósticos periódicos, transformar os problemas de cada escola, não importa se estadual ou municipal, em um problema do povo de Araraquara, unindo esforços privados e públicos em sua solução. (07/08/07)
Ø Aprimorar a participação da comunidade nos destinos da educação através do fortalecimento de sua representação nos Conselhos de Escola. Dar vida ao lema Vamos aos conselhos! Vamos mudar a educação! (06/08/07)

Condições de trabalho para o ensino básico



A audiência pública promovida na quarta-feira, dia 09/08/07, pela vereadora Edna Martins na Câmara Municipal de Araraquara, no quadro do “Fórum Araraquara 190 anos. Educação, um compromisso de todos” trouxe à baila, principalmente, as condições de trabalho em que precisam atuar os profissionais da educação no município. Na forma em que o quadro foi desenhado, não bastassem os efeitos sobre a vida pessoal dos professores, é uma situação cujas implicações reverberam mediata ou imediatamente no padrão de ensino e, por conseqüência, no presente e no futuro de crianças e adolescentes.

A questão salarial é início de conversa. Os valores calculados pela hora aula – que no município é de sessenta minutos, e não de cinqüenta, giram, na esfera municipal e estadual, em torno de R$ 7.00, chegando a um limite aproximado de R$ 10/12, na iniciativa privada. Um professor que trabalhe no regime de 20 horas estaria recebendo pouco menos que dois salários mínimos paulistas. A estratégia de sobrevivência consiste na busca de um duplo registro ou na procura de atividades complementares. Na obrigação de estar todo o dia ocupado, dois campos de efeitos. No primeiro, queda na qualidade de suas aulas, já que não resta tempo sequer para sua preparação. No segundo, problemas de saúde que tornam, hoje, a categoria, uma das mais atingidas por seqüelas advindas do estresse ou de seus sinais no organismo. Evidentemente, a debilidade do professor alimenta de forma negativa seu desempenho em sala de aula e, em um nível macro, os afastamentos e licenças – direitos para os quais normalmente as escolas não possuem um quadro de substituições adequado - contribuem para uma desorganização de organogramas e cronogramas.

O desrespeito dos “de cima” pelos membros da categoria é denunciado não apenas pelo fato do “achatamento salarial”. Ênfase significativa é dada às condições de trabalho. Aqui, as coisas podem ser descritas em termos inscritos na Constituição do país: ao enfrentarem dificuldades no cumprimento de seus deveres, nega-se, na prática, a realização dos direitos à educação de qualidade a crianças e adolescentes do município.
No nível das relações sociais, as situações de violência tornaram-se parte do cotidiano das escolas. A vulnerabilidade é real e o risco faz parte da vida de professores e alunos. Exemplos de professores vítimas de alunos e pais são contados para além do número de dedos nas mãos. Casos de agressões mútuas entre alunos tornaram-se crescentes. A escola não está preparada para enfrentar isso. Os professores não foram formados para lidar com essa realidade. De fato, a demanda é por um professor que “se desdobre em assistente social, psicólogo, sociólogo e nutricionista”. Precisa chegar às demandas sociais do aluno, atender a seu estado emocional, compreender seu ambiente cultural e, algumas vezes, correr atrás de sua subsistência.

No nível dos equipamentos imprescindíveis para o exercício de sua profissão, no estado, os alunos são mais que deveriam ser em cada sala de aula. Chegam a mais de quarenta. No município, são trinta e dois, mas poderiam ser trinta, em uma tentativa de chegar a um patamar próximo do sugerido por organismos internacionais. As carteiras dos adolescentes não acompanharam seu crescimento. São as mesmas usadas por crianças. A falta de conforto mínimo é real. Em muitas escolas, isso é agravado por ruídos como o do ventilador ou outros que tornaram-se parte da paisagem.

Escolas construídas recentemente acompanham os padrões do século passado. As lousas são as tradicionais, as salas de ciências não estão equipadas para dar conta de uma aula satisfatória, as salas de computadores podem estar fechadas, sem monitores especializados, com parte significativa de seus aparelhos danificados e, em qualquer caso, sem ligação com a internet. Houve caso de sala de ciências transformada durante anos em depósito. Há escolas sem bibliotecas, com bibliotecas defasadas, com bibliotecas sem profissionais que a tratem com o cuidado especializado.

A escola técnica vinculada ao Centro Paula Souza conseguiu um bom desempenho nas avaliações. Isso se deve ao muito que tem sido feito internamente para melhorar a qualidade de ensino. Mas a existência de um “vestibulinho” que exibe padrões dos cursos mais procurados nas universidades públicas contribui de forma decisiva para selecionar os melhores alunos. Um grupo de professores empenhados e alunos motivados na busca de uma profissão são elementos que, ao lado de boa infra-estrutura, produzem resultados razoáveis. Mas tampouco ali a situação é ótima. Também ali a matriz de funcionamento reproduz a insensatez. Um exemplo: o curso de técnico em administração foi aprovado. Mas não foram previstos recursos para a montagem de um laboratório de informática, instrumental básico para o bom desempenho profissional futuro do aluno. A recomendação é que “sejam buscadas parcerias”. Ainda que seja uma escola em que os alunos podem, inclusive, usar os chuveiros para higiene pessoal, a escola está sem merendeira e, por isso, não pode oferecer refeições a seu corpo discente, um alunado que passa praticamente o dia inteiro no espaço escolar.

Em espaços especializados, como a Casa Abrigo, a situação atinge uma complexidade ímpar. Recebendo uma clientela situada em média entre os 14 e os 18 anos, o pessoal não possui formação especial, mas atende pessoal com problemas que vão da sarna a históricos familiares problemáticos, passando por dependência de drogas. O atendimento é de 24 horas por dia em sistema de plantão, mas não há transporte disponível em tempo integral, da mesma forma que não há uma logística básica para enfrentar os contatos com os pais e as dificuldades em fazer com que adolescentes freqüentem as clínicas.




quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Compromissos pela qualidade da educação em Araraquara 2




Com vistas a um debate em torno de questões a serem propostas ao “Fórum Araraquara 190 Anos. Educação, compromisso de todos”, do, dia 7 de agosto de 2007, até o dia 29, véspera do evento, estaremos sistematizando os tópicos levantados nos debates a serem realizados até lá.

Ø Com base em diagnósticos periódicos, transformar os problemas de cada escola, não importa se estadual ou municipal, em um problema do povo de Araraquara, unindo esforços privados e públicos em sua solução. (07/08/07)
Ø Aprimorar a participação da comunidade nos destinos da educação através do fortalecimento de sua representação nos Conselhos de Escola. Dar vida ao lema Vamos aos conselhos! Vamos mudar a educação! (06/08/07)

Diretores de Escolas: e o projeto pedagógico onde fica?



A audiência pública promovida ontem, segunda, dia 07/08/07, pela vereadora Edna Martins na Câmara Municipal de Araraquara, no quadro do “Fórum Araraquara 190 anos. Educação, um compromisso de todos” possibilitou algumas constatações. Uma delas refere-se às dificuldades criadas pela própria lei para a manutenção dos diretores nas escolas. Entre o ser efetivado na escola, os afastamentos permitidos por lei, a remoção viável para outras escolas dentro ou fora do município, é possível a criação de um vácuo de direção com conseqüências nada pequenas para o ambiente escolar. Longe de significar uma hipótese plausível, esse foi um exemplo palpável e que ocorre hoje em um dos estabelecimentos de ensino estadual.

Outra constatação foi a ocorrência, em algumas escolas, de práticas de ausência de direção em algumas partes do dia. Foi dado um exemplo de diretora que, com alguma regularidade, chega ao local de trabalho com atraso, quase sempre depois que as aulas já começaram, dificultando contatos e tomada de conhecimento de problemas eventualmente existentes.

Ainda assim, no depoimento de uma diretora presente, o problema mais grave que enfrenta – e isso, em seu entender, pode ser estendido ao conjunto do segmento, é ver seu cotidiano tomado pela resolução de problemas administrativo-estrututurais da escola. Em concreto, isso significa tanto correr atrás de contratação temporária de servidores para a portaria, para a merenda e outras funções, como entrar em sala de aula para a substituição de um professo faltoso ou sem substituto e mesmo, conseguir verba emergencial para reparos em equipamentos.

Parte importante dos problemas enfrentados são decorrentes de decisões governamentais que não são acompanhadas de medidas que as viabilizem. todos reconhecem ser correto o cumprimento dos direitos dos alunos com necessidades especiais. Mas a matrícula de um cadeirante deve ser acompanhada de adaptações na arquitetura do prédio. Caso contrário, e há exemplo disso, o cotidiano desse aluno, de seus colegas, dos professores e da própria diretoria deve incorporar a rotina de carrega-lo não apenas ao subir as escadas, mas em todas as situações em que a adaptabilidade não foi realizada.

Mas há outro campo de problemas que transforma o dia-a-dia da escola em espaço vazio de significados para os alunos e remete às responsabilidades dos diretores. Ele denuncia a ausência do professor, o cansaço com que ele chega para dar aulas, a lousa quebrada, as carteiras incômodas e nem sempre em boas condições, os computadores que não funcionam, os laboratórios em salas fechadas. Enfim, trata-se de um campo de questões que impõe uma reflexão sobre a relativa precariedade das condições em que a educação encontra-se no município.




terça-feira, 7 de agosto de 2007

Não faltam temas para discussão nos Conselhos de Escolas

Na audiência pública promovida ontem, segunda, dia 06/08/07, pela vereadora Edna Martins na Câmara Municipal de Araraquara no quadro do “Fórum Araraquara 190 anos. Educação, um compromisso de todos” foi constatado que não faltam problemas para serem debatidos em Conselhos de Escola. Ficou clara sua necessidade e importância para um debate em torno dos obstáculos que impedem uma educação escolar de qualidade no município. Sem que os temas fossem esgotados, foram lembrados os seguintes assuntos:
Ø alunos pouco estimulados a ver o futuro como promissor;
Ø alunos faltosos;
Ø evasão escolar;
Ø indisciplina e situações de violência;
Ø depredação do equipamento escolar;
Ø lentidão e pouca eficiência no trabalho dos conselhos tutelares;
Ø lotação exagerada das salas de aula. No município, há turmas de educação infantil com 30 alunos. No estado, no ensino básico, turmas com mais de quarenta alunos;
Ø equipamentos pedagógicos subutilizados ou inutilizados ou, mesmo, trancados a chave;
Ø merenda escolar irregular e de baixo padrão;
Ø práticas pedagógicas que não acompanham a “vida moderna” dos alunos;
Ø a questão da “aprovação automática” como problema no desenvolvimento do projeto pedagógico;
Ø falta de diálogo entre o ensino do sistema público municipal e o estadual. Problema agravado na passagem do aluno do fundamental para o médio;
Ø formação duvidosa de pedagogos nas escolas privadas;
Ø existência, no quadro de professores, de profissionais pouco motivados à atualização;
Ø faltas dos professores afeta desempenho e tira motivação de alunos;
Ø baixos salários e jornadas incompatíveis com o bom desempenho;
Os tópicos aqui lembrados e anotados a partir da audiência pública remetem a uma discussão mais abrangente em torno de uma pergunta fundamental: que escola queremos?

Compromissos pela qualidade da educação em Araraquara



Com vistas a um debate em torno de compromissos a serem propostos ao “Fórum Araraquara 190 Anos. Educação, compromisso de todos”, de hoje, dia 7 de agosto de 2007, até o dia 29, véspera do evento, estaremos sistematizando os tópicos levantados nos debates a serem realizados até lá.

Ø Aprimorar a participação da comunidade nos destinos da educação através do fortalecimento de sua representação nos Conselhos de Escola. Dar vida ao lema Vamos ao conselho! Vamos mudar a escola!

Conselhos de Escola: uma boa idéia em busca de realização




A audiência pública promovida ontem, segunda, dia 06/08/07, pela vereadora Edna Martins na Câmara Municipal de Araraquara no quadro do “Fórum Araraquara 190 anos. Educação, um compromisso de todos”, reafirmou uma dupla constatação: 1) os conselhos são essenciais para o desenvolvimento de uma vida escolar sadia; 2) os conselhos ou simplesmente não funcionam ou, quando mobilizados, não cumprem com seus objetivos mais importantes.

É um diagnóstico já insinuado pelas dificuldades encontradas na própria organização do evento. As comunicações entre as escolas e os membros dos conselhos não parecem ser, regra geral, das mais eficazes. Na vida real, a convocação rápida para uma reunião ou um evento pode não ser viabilizada. Mais a mais, tanto no sistema público estadual como no municipal, os objetivos dos conselhos não parecem ser cumpridos em sua totalidade. De fato, expressa de forma caricatural, há uma constatação generalizada – exceção reconhecida para a “Industrial”, de que a realidade cotidiana dos conselhos é limitada à discussão de casos de indisciplina e à organização de festas escolares. Ainda que decisões importantes possam ser tiradas, há dificuldades na implementação.

Parte significativa da responsabilidade desse mal funcionamento é atribuída à omissão dos pais, à sua ausência na vida de seus filhos na escola. Ainda assim, também houve consenso na admissão de que as direções têm dificuldades em estruturar os conselhos. Foi lembrado, por exemplo, que não há verba que possibilite o cumprimento das funções atribuídas a eles.

A democracia interna à vida da escola seria mais rica e efetiva se pudesse contar com grêmios de alunos e estes pudessem ocupar assentos nos Conselhos, ao lado da representação de pais, funcionários e professores.







segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Sem consciência do que ocorre no campo

Um dos exemplos possíveis de serem mencionados para ilustrar as conseqüências não controláveis (e em alguns casos, sequer pensadas) de iniciativas governamentais é o que acontecendo neste momento com a estrutura da posse de terras no país. Páginas adiante do artigo escrito por FH, o mesmo Estadão mostra um quadro desenhado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária sobre a aquisição de terras no Brasil por parte de estrangeiros. Com tendência “a aumentar nos próximos anos”, quilômetros e quilômetros quadrados do território brasileiro estão sendo adquiridos por megainvestidores, por empresários de todo o mundo e por organizações não governamentais para fins que vão da especulação à produção de biocombustível, passando por iniciativas de preservação da biodiversidade. Efeito de uma legislação frágil, essa apropriação sem intervenção de um projeto de desenvolvimento agrário e agrícola com consistência mínima e em condições de um mínimo de regularização no setor desperta a preocupação de uma ocupação e de um uso sem preocupação com os interesses imediatos e futuro dos brasileiros.

Pelo menos em um aspecto, FH falou e tá falado.




É perturbador e constrangedor que uma figura como Fernando Henrique Cardoso permaneça vivendo uma espécie de pesadelo pela auto imaginada perda de um lugar na história. Chegam a cansar alguns de seus artigos e entrevistas. Passam por uma repetição do mesmo. Lula deu continuidade ao que ele fez em termos macroeconômicos, no bolsa isso e aquilo, no controle da estabilidade. Está fazendo tudo o que criticou e, além disso, perde uma janela de oportunidades pela tranqüilidade do cenário internacional (que ele, FH, evidentemente, não teve). Ainda que tudo isso fosse verdade, o leitor simpatizante concorda com ele desde menininho e o que o lê em busca de elementos para o debate sobre o país se aborrece com a ladainha.

Convenhamos, no entanto, que em seu último artigo no Estadão (5/08/07, p. A2) há uma passagem que mereceria atenção e discussão apropriadas. Afirma ele que o governo petista não deu conta da elaboração de um “projeto verdadeiramente nacional”. Um projeto que “abrangesse todas as correntes da sociedade e transcendesse os interesses meramente partidários, corporativos e pessoais”.

Salvo desconhecimento grosseiro, não há partido político nacional que tenha logrado chegar a tal projeto. Na verdade, sequer se chegou a levar adiante seriamente uma discussão dessa natureza. No rigor, o país passa hoje por modificações que não conseguem ser assimiladas em sua envergadura, quanto mais em suas conseqüências e/ou significados como base para um futuro minimamente previsível.

Se isso é constatável em nível nacional, imagine-se em nível local. Aqui, conteúdos e profundidade das discussões, quando estas existem, não chegam a tocar na identificação séria de diagnósticos capazes de prognósticos, quanto mais de projetos articulados em torno de interesses gerais.

De qualquer forma, ao mencionar a ausência, FH obriga o PSDB em todos os níveis a tomar a iniciativa na condução do projeto. Principalmente nas cidades em que não passa de mero registro no cartório.
(Postado em 06/07/07)

Coca se movimenta, o povo comenta.




Há algumas semanas, às vésperas de um encontro do PP, partidários do ex-prefeito W. de Santi anunciaram sua candidatura no próximo ano. Simples desejo, necessidade de aglutinar as tropas, balão de ensaio, teste de prestígio junto à opinião pública ou, mesmo, início de campanha, não se sabe. O que sabemos é que o fato reverberou e obrigou os estrategistas de todas as cores, crédulos ou não, a trazer o fato para o cálculo político.

Ocorre que o anúncio veio acompanhado de elogios rasgados ao sempre candidato Coca Ferraz. Devidamente agradecidos e retribuídos, os elogios deram lugar à especulação sobre a possibilidade de um lugar como vice e uma dobradinha De Santi/Coca em 2008. O problema é saltar sobre a determinação do PSDB estadual que reivindica cabeça de chapa ameaçando intervenção nos diretórios que não cumprirem o determinado. No quadro, o caminho de Coca poderia ser de opção para uma outra sigla. No PT, já é conhecido. Já participou em coligação na qual saiu candidato a prefeito tendo Elio Neves como vice e, é sabido, tem bom diálogo como o prefeito Edinho. O PP, combalido com o falecimento de Manco, mas fortalecido com a chegada do grupo de Porsani, provavelmente o receberia de braços abertos. O PTB, em condições de debilidade com a migração de quadros com militância reconhecida, só pode contar hoje realmente com a força eleitoral de Edno Pacheco. Insuficiente para um projeto que assimile as demandas de Campos Machado, Coca pode ser uma alternativa. Uma alternativa na qual, localmente, Coca tenha condições de ditar seus termos. Entre eles, o de uma coligação com o PP, na qual sairia com o apoio de De Santi e a vice entregue a Porsani. Todas fruto de especulações, são alternativas que mexeriam de forma importante no tabuleiro eleitoral. Inclusive quanto à forma como o Deputado Estadual Roberto Massafera seria obrigado a mover-se.