por José dos Reis Santos Filho
Neste dia 17 de janeiiro passado, no Auditório da Associação do Comércio e Indústria de Araraquara (ACIA), os estabelecimentos supermercadistas assinaram entre eles um termo de cooperação cujo objetivo é o “banimento das sacolas plásticas tradicionais”. Os argumentos que orientam publicamente tal decisão são conhecidos e estão centrados na preservação do meio ambiente. As sacolas plásticas utilizam polietileno de baixa densidade, seu descarte inadequado polui e estima-se que levem mais de cem anos para decompor-se. Considere-se a extensão de seu uso e teremos um bom contexto em defesa da sustentabilidade. Afinal, conforme as estimativas, cada brasileiro utiliza, por mês, cerca de sessenta sacolas. Nas contas finais, seu uso chegaria a algo em torno de um bilhão de unidades/mês, o equivalente a 210 mil toneladas mensais e a 10% de todo detrito produzido.
Os termos estabelecidos pela proposta da Associação Paulista de Supermercados são transparentes e sinalizam claramente os objetivos a serem alcançados pelo setor. Seu eixo fundamental propõe “promover e incentivar” o “hábito de utilização da sacola retornável”. A promoção de tal “hábito” começa, conforme o documento, pelo “banimento da sacola plástica” em seus caixas. Mas terá o apoio, entre outras possibilidades, de “campanhas de educação e informação aos consumidores”.
Nesse quadro, resta saber que alternativas propõem os supermercadistas. Grosso modo, são duas: sacolas biodegradáveis e/ou sacolas retornáveis. Em qualquer caso, será vedado o fornecimento gratuito ou subsidiado deste tipo de embalagem ao consumidor. De outro modo: se no caso das sacolas tradicionais o custo era embutido no custo operacional do estabelecimento, com a nova prática se torna explícito e equivalente a qualquer outro produto oferecido nas prateleiras. E o poder público municipal, de que maneira se envolve com a proposta?

Já ficou claro que, ao município interessa toda e qualquer proposta responsável que vise diminuição do passivo ambiental existente na cidade. No que diz respeito aos resíduos sólidos e, em especial às sacolas plásticas, isso já foi manifesto há alguns anos. A própria Secretaria Municipal de Meio Ambiente, desde sua criação, introduziu o assunto em seus projetos de educação ambiental e estimulou comerciantes a adotarem embalagens substitutivas. Por determinação do prefeito Marcelo Barbieri, a SMMA passou a tratar desse assunto de forma mais próxima com a adoção do programa Município Verde. Na Câmara Municipal, diga-se de passagem, tais esforços foram expressos por meio de propostas de lei, uma delas de iniciativa do vereador Lapena. Não por acaso, portanto, ao sermos contatados pela Associação Paulista de Supermercados, vimos claramente um ponto de convergência entre as preocupações do governo e os interesses dos supermercadistas. Nossa questão é, então, tratar de entender o alcance e os limites da iniciativa proposta.
Não imaginamos que a substituição das sacolas plásticas seja algo que vá resolver os problemas ambientais da cidade. Seria falacioso sequer pensar nessa idéia. Tampouco acreditamos que exista um substituto capaz de dar conta da diversidade de usos e reutilizações adquiridas por elas. Mas convém lembrar que estudo sobre sacolas plásticas realizado pela Fundação Espaço Eco e pela Fundação Akatu sinaliza que essa é uma questão relacionada a variáveis como freqüência nas idas aos supermercados, volume de compras e quantidade de vezes de descarte do lixo. Conforme for a relação dos consumidores com essas variáveis, maior ou menor a ecoeficiência das sacolas de plástico ou das bolsas reutilizáveis. (http://www.espacoeco.org/). Mais a mais, finalmente, seria leviandade deixar de reconhecer que o cidadão e a cidade precisarão repensar comportamentos dependentes do uso das sacolas de plástico distribuídas pelos supermercados.
De qualquer forma, quaisquer que sejam as dúvidas pertinentes ao assunto, há algo que aparece como fato. Ao adotarem as medidas propostas pela Associação Paulista de Supermercados com o apoio do governo do estado e da prefeitura, os supermercadistas locais deixarão de colocar na cidade, em cálculo absolutamente subestimado, cerca de 2.000.000 de sacolas de plástico por mês. Ou, por outra ótica: o município deixará de produzir algo em torno de, pelo menos, 420 toneladas/mês de lixo inorgânico. Esse, não obstante as dificuldades que enfrentaremos, é, certamente, um bom começo.
Obs. Publicado originalmente nas edições de terça-feira, dia 17 de janeiro, nos jornais O Imparcial e Folha da Cidade, ambos de Araraquara.
Imagem 1 Fonte: http://www.50emais.com.br/2011/02/abolir-saco-plastico-tomara-que-bh-consiga/sacola-plastica-1/
Imagem 2 Fonte: http://araraquara.sp.gov.br/Noticia/Noticia.aspx?IDNoticia=5282