sábado, 17 de novembro de 2012

Quantos cadáveres ainda serão necessários?



José dos Reis Santos Filho


Quantos cadáveres foram necessários para que o governo federal e o paulista concluíssem pela importância de um trabalho conjunto de combate ao crime? Os fatos, eles, finalmente se impuseram. Difícil fazer passar despercebida uma noite que produz sete mortes, furtos e incêndios orquestrados, com um bom nível de certeza, por bandidos.

Ainda que tardias, as medidas anunciadas ontem são de importância que não pode ser desprezada. É verdade que precisaremos conhecer mais detalhes sobre a agência de ação integrada. Por exemplo: ela subverterá, em alguma medida, o poder da Secretaria de Segurança? É verdade também que será necessário algum tempo para que seus efeitos comecem a ser produzidos. Os recursos chegarão em tamanho e tempo suficientes? Quaisquer que sejam as dúvidas, é certo que as propostas estão no caminho certo.

No rigor, a transferência de presos, por mais importante que seja, não é o aspecto fundamental. O que há de substantivo é a possibilidade de trazer para um espaço comum instituições que há muito já deveriam estar coordenadas. Mais ainda: compreender, por atitudes, que o crime organizado não é combatido sem rigorosas investigações na área financeira. A lavagem de dinheiro é fonte de vida do crime. Da mesma forma como aplicações feitas nos mesmos mercados sustentados pelo sistema bancário.

Das fronteiras às estradas, do atacadista aos pontos de venda, dos bairros e favelas aos presídios, o núcleo criado está, pelo menos em tese, em condições de um bom combate. Que a política pequena não o impeça. São os votos dos que carecem da segurança.

Publicado na Folha de São Paulo de 7 de novembro de 2012




Colocar policial nas ruas é a única alternativa hoje?


José dos Reis Santos Filho

A necessidade do policial nas ruas é uma evidência que dispensa discussões. A questão começa quando entramos na discussão sobre as formas como isso deve ocorrer. Duas evidências pautadas pelas experiências recentes.

Na primeira, a existência de “soldados temporários” mostrava, por um lado, que existiam efetivos fora de função. Por outro, uma lacuna na ordem de alguns milhares de praças no policiamento das ruas. Na segunda, a comprovação de que um dos problemas fundamentais do policiamento reside na escassez de recursos. Salários pela metade para temporários e tempo empregado em bicos pelos quadros efetivos não sinalizam senão penúria no setor. Comprovada a escassez de quadros e de recursos, há, no entanto, uma pergunta a responder. A locação de pessoal no asfalto é a única alternativa possível para o policiamento nos dias de hoje?

O emprego de tecnologias como as câmeras, a comunicação digital, o geo-referenciamento, a comunicação em tempo real com a população não introduzem novas variáveis à questão? Em outras palavras: a questão do tamanho do efetivo não deveria ser pensada, hoje, com elementos que introduziriam uma nova equação? E se isso fizer sentido, não estaríamos falando de um novo tipo de policiamento, de um novo conceito de policial? Provavelmente, sim. Mas há outro fator sempre esquecido: o distanciamento enorme entre população e polícia. De fato, tornou-se bagatela falar em participação popular. E isso poderia fazer toda diferença.





Publicado na Folha de São Paulo de 27 de agosto de 2012

Reproduzido, entre outros, em: http://www.tjsp.jus.br/Institucional/Imprensa/Clippings/Clipping.aspx?Id=32121