A droga como questão social. *
José
dos Reis Santos Filho
Usuários no Brasil em 2012
Segundo a agência da ONU, o consumo de cocaína
no Brasil aumentou "substancialmente" e atingiu 1,75% da população
com idade entre 15 e 64 anos em 2011 - ante 0,7% da população em 2005. Ou, em números, cerca
de 2,8 milhões de pessoas.
A cocaína que chega às ruas na forma de uma droga é uma mercadoria. Ela supõe, em primeiro lugar, matéria prima. Sua produção implica em meios expressos em terra agriculturável, pessoal, infraestrutura, insumos, logística, meios de transporte e segurança. Em seguida, exige, para seu refino, pessoal, infraestrutura industrial, insumos, logística, meios de transporte e segurança. Uma vez pronta, ela torna-se um bem a ser distribuído. Novamente, reivindica pessoal, meios de transporte, logística e segurança. Mas exige também pontos de comercialização e depósitos. Realizado esse processo, o resultado obtido é configurado da mesma maneira como ocorre com um produto como a Coca-cola. Custos são calculados e lucros são utilizados na reprodução da própria mercadoria e servem para acumulação por parte do responsável pela cadeia produtiva. É aqui que os mecanismos e organismos de administração financeira exercem seus poder e criam novos elos de cumplicidade que entrelaçam o circuito da ilegalidade com a esfera legitimamente institucionalizada, provocando e estimulando, inclusive, a corrupção.
Objetivo central
Um dos objetivos centrais das políticas públicas voltadas para a neutralização dos efeitos da droga é o combate sistemático à sua cadeia produtiva. Um outro objetivo central visa garantir às pessoas, em especial aos
jovens, o desenvolvimento e/ou a recuperação de suas capacidades e a
oportunidade de tomar decisões que favoreçam sua qualidade de vida.
Diagnósticos
Esforços em promover
estudos e análises sobre a produção, o tráfico e o consumo de drogas, a fim de
embasar a implementação de intervenções apropriadas a cada contexto nacional.
Normatização
Criar
e/ou adequar a legislação em níveis federal, estadual e municipal nos aspectos
referentes ao tráfico e à dependência das drogas;
Cuidado
Capacidade
de atendimento e atenção ao usuário e familiares. Estruturação da rede de
cuidados para auxiliar os usuários e dependentes de crack e outras drogas e
seus familiares na superação da dependência e na sua reinserção social. Isso, com
base em evidências científicas, com uma abordagem que prioriza o respeito aos
direitos humanos e às reais necessidades dos usuários dos serviços em seus
aspectos clínicos, motivacionais e sociais.
i.
Centros
de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPSad);
ii.
Consultórios
na Rua
iii.
Unidades
de Acolhimento
iv.
Apoio
às Comunidades Terapêuticas
v.
Enfermarias
especializadas em hospitais gerais do Sistema Único de Saúde (SUS)
Prevenção
Fortalecimento
da rede de proteção contra o uso de drogas. Ações de comunicação com a
população para prevenir o uso de crack e outras drogas nas escolas e nas
comunidades.
i.
Programa
de Prevenção do Uso de Drogas na Escola;
ii.
Programa
de Prevenção na Comunidade;
iii.
Comunicação
e Campanhas Publicitárias;
iv.
Centros
de Regionais de Referência (CRRs);
Autoridade
Enfrentamento
ao tráfico de drogas e policiamento ostensivo de proximidade.
Objetiva integrar inteligência e cooperação entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais, o policiamento ostensivo de proximidade nos pontos de uso de drogas nas cidades, além da revitalização desses espaços.
Objetiva integrar inteligência e cooperação entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais, o policiamento ostensivo de proximidade nos pontos de uso de drogas nas cidades, além da revitalização desses espaços.
Capacidade Excedentária de
Assistência Permanente
Garantir
em níveis internacional, federal, estadual e municipal capacidade de
assistência a órgãos e agentes nas necessidades por formação, experiências,
recursos humanos, técnicos e financeiros. Um exemplo dificilmente lembrado: assessoria
jurídica.
Abordagem
multifacetada e abrange os mais diversos aspectos que envolvem o tráfico, o uso
e a dependência.
1 -
ações concertadas e diferenciadas nas áreas de saúde, educação, segurança
pública, emprego e moradia, entre outras;
2 -
projetos de prevenção,
3 -
tratamento e reabilitação de dependentes químicos;
4 –
redução de danos que preveja, por exemplo, a transmissão do HIV associada ao
uso de drogas;
5 -
programas de combate à lavagem de dinheiro associada ao mercado ilícito de
drogas;
6 -
monitoramento das plantações ilícitas;
7 -
reforço da capacidade dos governos de interceptar e coibir o tráfico de drogas;
Fontes
Consultadas
Commission on Narcotic Drugs - CND
Plano
Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas. Programa Crack, É Possível
Vencer.
Lançado em dezembro de
2011
UNODC.
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime
* Palestra realizada para estudantes da Faculdade de Farmácia da Unesp, Campus de Araraquara, em 2017;
Nenhum comentário:
Postar um comentário