Fragmentos
em torno de uma volta à barbárie jamais superada.
Fragmento 1: 29 de abril de 2019.
Conforme noticia
veiculada pela Revista Fórum, deste último dia 29 de abril, em Ribeirão Preto
(SP), durante a abertura da Agrishow, uma das maiores feiras do setor agrícola
do país, Jair Bolsonaro prometeu incluir o setor ruralista no “excludente de
ilicitude”, proposta que faz parte do projeto “anticrime” de Sérgio Moro. É um
projeto que permite redução ou até mesmo nulidade da pena para pessoas que
cometerem assassinatos por estarem sob “escusável medo, surpresa ou violenta
emoção”.
Medida
conhecida no meio jurídico como “licença para matar”, é outra iniciativa do
atual presidente em direção contrária a todos marcos civilizatórios já
alcançados por países que superaram o costume de resolver seus conflitos com o
uso puro e simples das armas de fogo. Tal como o projeto “anticrime” do
ministro da Justiça, a lógica da proposta está longe da impessoalidade
reivindicada por legislação que obedeça ao interesse público. Está impregnada
por valores que fogem ao escopo do muito que foi conquistado pelas Nações Unidas
depois dos tempos do nazismo e do fascismo. Foge ainda a tudo que sedimentamos
em nossa Constituição de 88. Puro arbítrio, é claro! Mas está longe de ser um
exclusivamente um capricho. Atende a uma dinâmica que é a da comunidade a que
está preso o presidente por origens, por afinidades e por compromissos. É um
modo de pensar, de se comportar e de atuar publicamente que revela o perfil das
milícias e da indústria de armas.
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