José dos Reis Santos Filho
Para a edição de sábado, dia 06 de setembro de 2014, respondi à Tribuna Impressa uma pergunta sobre um movimento recém surgido em Araraquara em defesa do voto exclusivo em candidatos da própria cidade. Estranhei a pergunta. Na verdade, estranhei o propósito do movimento. Em plena era da comunicação, da compreensão sobre o alargamento das fronteiras locais e, sobretudo, do acesso às diferenças, como sugerir algo daquela natureza? Em princípio, parece interessante, algo como fechemo-nos em torno dos interesses da cidade. Ocorre que o eleitor pode ter um voto destinado a candidato que defenda propostas determinadas, claramente identificadas com suas demandas. Pode também apreciar a trajetória de lutas de um candidato que não é, necessariamente o do município. Pode enfim, não concordar com a história e/ou as plataformas dos candidatos locais.
Mas, é curioso também que se reivindique do eleitor algo que os próprios candidatos locais não cumprirão. São vários os exemplos de políticos que começaram suas campanhas associados a outros, de outros municípios. As conhecidas dobradinhas. E isso parece ser geral. Não há uma dose de ingenuidade na proposta? Ou será que há algo mais que não consegui atingir? De qualquer forma, a liberdade política, tal como assegurada pela Constituição, não tem fronteiras. O que temos que reivindicar, sempre, é o voto consciente. E isso já é muito.
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