José dos Reis Santos Filho
Um morador de rua e catador de latas é o primeiro condenado após onda de manifestações. É o que anunciam os principais veículos de informação no dia de hoje. Entre 300 mil pessoas, “no rastro de destruição no centro do Rio”, coube a ele a primazia. Em um pensamento “a la Poliana”, em uma situação em que ainda se convive com uma mentalidade em que a questão social ainda é problema da polícia, talvez devêssemos ver a situação por um prisma particularíssimo. Que tal dizer que, na verdade, essa pessoa foi sorteada. Foi premiada: de uma situação de indigência, passa a ser hóspede do Estado, com casa, comida e roupa lavada. O serviço de hotelaria do Estado à sua disposição. Uma premiação, aliás, que deveria estar sob suspeita no Conselho Nacional de Justiça. Afinal, no pensamento do juiz que o condenou, um morador de rua ter em suas mãos uma garrafa de pinho-sol com água sanitária foi suficiente para condená-lo. Em época em que indícios são transformados em evidências, nova conquista para o judiciário do país.
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