José dos Reis Santos Filho
Quantos cadáveres foram necessários para que o governo federal e o paulista concluíssem pela importância de um trabalho conjunto de combate ao crime? Os fatos, eles, finalmente se impuseram. Difícil fazer passar despercebida uma noite que produz sete mortes, furtos e incêndios orquestrados, com um bom nível de certeza, por bandidos.
Ainda que tardias, as medidas anunciadas ontem são de importância que não pode ser desprezada. É verdade que precisaremos conhecer mais detalhes sobre a agência de ação integrada. Por exemplo: ela subverterá, em alguma medida, o poder da Secretaria de Segurança? É verdade também que será necessário algum tempo para que seus efeitos comecem a ser produzidos. Os recursos chegarão em tamanho e tempo suficientes? Quaisquer que sejam as dúvidas, é certo que as propostas estão no caminho certo.
No rigor, a transferência de presos, por mais importante que seja, não é o aspecto fundamental. O que há de substantivo é a possibilidade de trazer para um espaço comum instituições que há muito já deveriam estar coordenadas. Mais ainda: compreender, por atitudes, que o crime organizado não é combatido sem rigorosas investigações na área financeira. A lavagem de dinheiro é fonte de vida do crime. Da mesma forma como aplicações feitas nos mesmos mercados sustentados pelo sistema bancário.
Das fronteiras às estradas, do atacadista aos pontos de venda, dos bairros e favelas aos presídios, o núcleo criado está, pelo menos em tese, em condições de um bom combate. Que a política pequena não o impeça. São os votos dos que carecem da segurança.
Publicado na Folha de São Paulo de 7 de novembro de 2012
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