José dos Reis Santos Filho
Difícil deixar de acreditar que o nome das circunstâncias que envolvem a morte de Gaddafi é assassinato. Há evidências gritantes de captura (rendição?) e, em seguida, morte. Como convém em casos como esse. Algo que não alimente a fúria de simpatizantes ou a preservação de arquivos. Suspeito o suficiente para que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos peça uma investigação sobre o ocorrido. Mas essa não seria uma daquelas farsas em que a retórica em cores de civilização busca encobrir a hipocrisia dos atos de força? Talvez não! Afinal, a história dessa agência das Nações Unidas registra alguns feitos significativos. Mas não o suficiente para dar conta de uma crônica prá lá de anunciada.
O destino de Gaddafi foi selado pelo Conselho de Segurança da ONU meses atrás. Foi implementado pelas forças da OTAN com o protagonismo de França, Inglaterra e Itália. No local, por interesses aliados desses países e encorpados em facções religiosas antagônicas ao ditador. Isso, como acontece com freqüência, sob a sombra de uma rede midiática cuja cobertura se faz à sombra de interesses e preconceitos. No frigir dos ovos, um cadáver, é certo. Talvez, a abertura para um período em que a democracia se torne referência de vida para a população. Mas, com certeza, ainda, a continuidade de formas em que a força, a violência e a criminalidade permanecem como linguagem e instrumentos de uma lógica por meio da qual potências se impõem sempre que seus interesses são ameaçados. Sobre o assunto, ver o que já escrevi em:
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