José dos Reis Santos Filho
As cidades podem se precaver contra problemas tais como o aumento da frota de veículos e a criminalidade. É verdade que planejamento não é bola de cristal. Mas pode funcionar eficazmente, inclusive na redução de danos. No caso de São Paulo, são visíveis as dificuldades em chegar a esse modelo. No caso dos logradouros públicos, são disputados em suas funções e finalidades. De fato, não resistiram à sua ocupação pela frota de veículos automotores e pela criminalidade. Se uma percepção inicial nos faz vê-los como locais de circulação usados de forma que atrapalham a vida do cidadão comum, um segundo olhar nos faz percebê-los como oportunidade para o furto de veículos.
No limite, efeito demonstração da ausência, em primeiro lugar, de um trabalho que torne as ruas aquilo que deveriam ser: um espaço público. Depois, uma demonstração evidente de que a insegurança pública permanece na ordem do dia. E, se a realidade sinaliza a incapacidade de tornar coletivos os espaços ocupados de forma privada, se a criminalidade permanece como uma ameaça, o horizonte é de soluções que reproduzem o estado de coisas.
Nada pretensamente mais natural que, para proteger um bem privado, se estenda ao espaço público medidas de proteção do ambiente doméstico: investimentos em holofotes, câmeras, seguranças. Quem sabe, adiante, cercadinhos individuais com proteção elétrica. Tudo isso, no lugar de uma expressão clara de descontentamento contra os responsáveis pela administração da cidade.
*Com outro título e uma frase a menos, artigo publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo de 30 de maio de 2011, Caderno Cotidiano.
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