por José dos Reis Santos Filho
Policiais afastados por corrupção, delegado espancando cadeirante, suspeita despida sob coação em uma delegacia, corregedoria pautada pelo corporativismo, secretário vítima de espionagem, venda de informações confidenciais, número imenso de subnotificações, índice insustentável de casos não resolvidos... Convenhamos, ou alguma coisa é feita ou a falta de credibilidade vai às nuvens. Difícil fazer outro tipo de leitura. A questão é saber se as iniciativas de reestruturação da policia civil recém anunciadas são promissoras.
Parte delas responde a uma lógica irrefutável. De fato, a presença de uma delegacia de polícia em uma cidade com menos de 10 mil habitantes e sem padrão de criminalidade preocupante é luxo. São localidades que necessitam de policiamento ostensivo cotidiano. Deixar ali uma força especializada em investigações é desperdício. Da mesma forma, em municípios com um mínimo de integração policial, não importa que cada bairro possua uma delegacia. O registro de ocorrências pode tornar-se – esse é um imperativo de racionalidade, responsabilidade da polícia militar, por exemplo.
No mesmo sentido, o modelo atual de funcionamento da polícia civil faz com que, “habitando” em espaços diferentes, a disponibilidade e a administração de recursos alcancem níveis paradoxais de, acreditem, escassez e desperdício. Em tese, as especializações e as vocações profissionais não desaparecerão. Mas não há nada que impeça, em nome da racionalidade, que convivam em um mesmo local.
O grande problema das medidas anunciadas é não tocar em duas questões fundamentais. A primeira delas, ao contrário do que sugere a manchete da Folha de São Paulo, a unificação das policias permanece sem horizonte. A segunda diz respeito ao debate aberto e transparente com a população. Com essas ausências, uma teia de problemas permanece intocada. Alguns detalhes a mais sobre a discussão, ver:
http://www.oexpresso.com.br/sessao.php?id_sessao=cbo
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