sexta-feira, 20 de março de 2009

Por um perfil de mulher capaz de protagonismo pessoal e comunitário

Há alguns meses, uma jovem mulher foi estuprada em uma das ruas de um bairro próximo ao centro da cidade. Um crime hediondo que, por si só, reivindicaria de todos nós um pedido de desculpas em nome de toda a humanidade. Um crime que obriga pensarmos na necessidade de estarmos preparados para combatê-lo e antecipá-lo. Um crime que coloca responsabilidades a serem distribuídas por toda a malha social e institucional.

1 = em relação à mídia, dada a importância de não transformar a mulher-vítima em culpada por exercer um direito de ir e vir no horário que lhe convier ou agradar;
2 = em relação à prefeitura, em função da necessidade de manter as ruas bem iluminadas, sem entulhos e terrenos baldios à disposição de estupradores;
3 = em relação à polícia, já que permanece vital o policiamento ostensivo como instrumento de prevenção à criminalidade em nossa cidade;
4 = em relação aos serviços de saúde na medida da urgência em atenuar a dor das vítimas;
5 = em relação ao trabalho de investigação e aos trâmites judiciários, de forma a que a prisão e a punição dos agressores se tornem mais que uma eventualidade;
6 = em relação à Câmara Municipal já que é ela uma das instâncias mais importantes de fiscalização e preservação das leis.

São, todas, responsabilidades imprescindíveis na prevenção e na manipulação de situações dessa natureza. Ainda assim, empreendimento de maior profundidade deve ser realizado de forma a varrer das mentalidades os traços emocionais e ideológicos do machismo. E, nessa direção, dois eixos de trabalho de fortalecimento de um processo civilizatório cujo horizonte é uma cultura em que o respeito pela mulher seja uma referência inabalável:
1 = um forte foco de trabalho junto àquelas instituições mais importantes no processo de socialização: a família e a escola;
2 = um fortalecimento indispensável na capacidade da mulher em defender-se e colocar-se frente à sociedade, às instituições e aos homens como portadoras de direitos, como protagonistas de seus direitos, de suas vidas, de seus destinos.

É nesse quadro que devemos entender a importância do Curso de Promotoras Legais organizado pelo CedroMulher com o apoio de diversas instituições, incluindo o nosso Núcleo de Estudos sobre Situações de Violência e Políticas Alternativas – NUEVA. É imprescindível capacitar cada vez mais para a conquista de sua cidadania.

A expectativa é que possam transformar o conhecimento adquirido em instrumento de luta contra a discriminação e por melhorias na qualidade de sua própria vida. Espera-se também que possam atuar de forma a mudar, nas esferas de sua vida cotidiana – estudos, trabalho, serviços públicos - as condições em que ainda vivem milhares de outras mulheres do município. Com esses horizontes, o que interessa é fortalecer o protagonismo das mulheres. Que possam, com suas próprias forças, afirmar que são sujeitos de direitos. E, então, sempre que necessário, possam cobrar da mídia, das instituições e serviços governamentais, das polícias e da justiça, aquilo que já conquistaram no terreno da lei.

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