segunda-feira, 9 de março de 2009

A paz é fruto da justiça

A Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros – CNBB recém lançou a Campanha da Fraternidade deste ano de 2009. Seu tema é Fraternidade e Segurança Pública. Seu lema, a paz é fruto da justiça. O que pode ser compreendido a partir de sua leitura?

O ponto de partida é o reconhecimento de que as situações de violência estão por todos os lugares e atingem como vítimas ou agressores, uma enorme quantidade de atores sociais. Elas se manifestam como exemplos da intolerância étnica, do racismo, do machismo, da pedofilia, da apropriação ilegal de terras, do desrespeito à legislação trabalhista, da brutalidade policial, do pouco caso do judiciário, da negligência paterna, da falta de cuidado e/ou qualidade escolar, da integração de crianças e adolescentes às redes de distribuição de drogas, enfim, elas se realizam de formas multifacetadas e em tempos e espaços que atingem todo o tecido social. E, apesar disso, há questões preliminares que precisam ser pensadas e enfrentadas.

Referimos-nos a problemas que permanecem como centenários: a concentração da renda e a não satisfação das necessidades básicas por seguimentos inteiros da população. São aqueles fenômenos que passamos a agrupar sob o nome de exclusão social. Certo, nada prova que haja uma ligação direta e irrevogável entre a pobreza e a criminalidade. De qualquer forma, é fato que a luta pela sobrevivência pode tomar os caminhos da ilegalidade e a busca por justiça social o atalho das situações de violência. Algo ainda mais suscetível quando se percebe elos fortes de aliança entre a criminalidade de colarinho azul, a casta política, a administração da lei e os grandes interesses econômicos.

Esse é o contexto geral em que o indivíduo imbuído de uma ética cristã, ao compreender a importância da justiça, se engaja na luta pela paz. Um contexto que supõe a compreensão de que as situações de violência estão por toda parte, que essas situações não se dão fora de um contexto em que as condições sócio-culturais jogam sua parte, que as formas de prevenção e contenção das situações de violência implicam no engajamento pessoal e comunitário e as políticas públicas e que nossas preocupações não devem limitar-se às vítimas: somos responsáveis pelos sujeitos dos atos de violência.

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