segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Um ambiente que favoreça o aluno



A audiência pública promovida quinta-feira, dia 10/08/07, pela vereadora Edna Martins na Câmara Municipal de Araraquara, no quadro do “Fórum Araraquara 190 anos. Educação, um compromisso de todos” procurou trazer a público a voz dos alunos do ensino básico. É curioso notar que parte do tempo de debates foi dedicada a uma discussão em torno da carteirinha de estudante. Defendida pelos alunos ligados a entidades de representação estudantil como símbolo e instrumento de sustentação do movimento, foram questionadas como desnecessária e cara por muitos dos presentes. Houve quem reivindicasse, em troca da ênfase na carteirinha, um papel de fiscalização das entidades estudantis em relação ao que se passa na escola.

No que diz respeito à avaliação sobre as condições em que recebem a educação escolar, houve ênfase em alguns tópicos já colocados pelos segmentos dos pais, professores e diretores. Assim é que as reclamações em torno dos laboratórios de informática e das bibliotecas também estiveram presentes aqui. A questão das condições de trabalho dos professores foi identificada como assunto sério a partir do olhar daquele que é receptor de seu investimento em sala de aula. Não poucos alunos percebem os professores como desmotivados, reclamam da falta de aulas por licenças e afastamentos e não vem nos substitutos improvisados solução para as ausências. Avaliam que as apostilas são, pelo menos em alguns casos, muito resumidas, a ponto de não propiciarem a compreensão. Não aceitam que não possam levar livros para casa. Não compreendem como escolas com salas de aulas trancadas abrigam classes com mais de quarenta alunos. Criticam as salas de informática fechadas, os aparelhos danificados, a ausência de monitores e o escasso uso da internet. Há reclamações quanto à qualidade ou ausência da merenda, dependendo da escola. No uso de laboratórios, quando funcionam, como no Industrial, com alguma freqüência, precisam pagar por algum material. Um aluno sinalizou, lamentando, que o diretor não tenha autonomia para solucionar os problemas da escola.

Alunos abandonam a escola ou porque precisam trabalhar ou porque, quando meninas, ficam grávidas. Mas não é difícil passar de ano. ““Me saí” bem porque copiei a matéria da lousa”. “Ainda que não assista às aulas às sextas-feiras, porque, na minha escola as sextas à noite são vazias, nunca tivemos faltas anotadas”.

Se bem que reivindicado que os professores “precisam falar a linguagem dos alunos, ser amigo dos alunos”, foi denunciado também que os alunos precisam ter respeito pelos professores”.

Como facilitar o primeiro emprego? Como introduzir o estágio no ensino médio? Isso é possível? Foi lembrado que os alunos não têm perspectivas dadas pelos governos. Eles constroem suas próprias perspectivas.

Deveria existir espaço para a arte na escola. “Os talentos, foi mencionado por um aluno que faz música, às vezes, a gente descobre do nada”. “Música também é profissão”.

Em síntese, na linguagem de uma aluna, é necessário criar um ambiente em que o aluno se sinta bem. O “negócio é juntar todo mundo para resolver os problemas”.




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