segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Pelo menos em um aspecto, FH falou e tá falado.




É perturbador e constrangedor que uma figura como Fernando Henrique Cardoso permaneça vivendo uma espécie de pesadelo pela auto imaginada perda de um lugar na história. Chegam a cansar alguns de seus artigos e entrevistas. Passam por uma repetição do mesmo. Lula deu continuidade ao que ele fez em termos macroeconômicos, no bolsa isso e aquilo, no controle da estabilidade. Está fazendo tudo o que criticou e, além disso, perde uma janela de oportunidades pela tranqüilidade do cenário internacional (que ele, FH, evidentemente, não teve). Ainda que tudo isso fosse verdade, o leitor simpatizante concorda com ele desde menininho e o que o lê em busca de elementos para o debate sobre o país se aborrece com a ladainha.

Convenhamos, no entanto, que em seu último artigo no Estadão (5/08/07, p. A2) há uma passagem que mereceria atenção e discussão apropriadas. Afirma ele que o governo petista não deu conta da elaboração de um “projeto verdadeiramente nacional”. Um projeto que “abrangesse todas as correntes da sociedade e transcendesse os interesses meramente partidários, corporativos e pessoais”.

Salvo desconhecimento grosseiro, não há partido político nacional que tenha logrado chegar a tal projeto. Na verdade, sequer se chegou a levar adiante seriamente uma discussão dessa natureza. No rigor, o país passa hoje por modificações que não conseguem ser assimiladas em sua envergadura, quanto mais em suas conseqüências e/ou significados como base para um futuro minimamente previsível.

Se isso é constatável em nível nacional, imagine-se em nível local. Aqui, conteúdos e profundidade das discussões, quando estas existem, não chegam a tocar na identificação séria de diagnósticos capazes de prognósticos, quanto mais de projetos articulados em torno de interesses gerais.

De qualquer forma, ao mencionar a ausência, FH obriga o PSDB em todos os níveis a tomar a iniciativa na condução do projeto. Principalmente nas cidades em que não passa de mero registro no cartório.
(Postado em 06/07/07)

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