A audiência pública promovida ontem, segunda, dia 07/08/07, pela vereadora Edna Martins na Câmara Municipal de Araraquara, no quadro do “Fórum Araraquara 190 anos. Educação, um compromisso de todos” possibilitou algumas constatações. Uma delas refere-se às dificuldades criadas pela própria lei para a manutenção dos diretores nas escolas. Entre o ser efetivado na escola, os afastamentos permitidos por lei, a remoção viável para outras escolas dentro ou fora do município, é possível a criação de um vácuo de direção com conseqüências nada pequenas para o ambiente escolar. Longe de significar uma hipótese plausível, esse foi um exemplo palpável e que ocorre hoje em um dos estabelecimentos de ensino estadual.
Outra constatação foi a ocorrência, em algumas escolas, de práticas de ausência de direção em algumas partes do dia. Foi dado um exemplo de diretora que, com alguma regularidade, chega ao local de trabalho com atraso, quase sempre depois que as aulas já começaram, dificultando contatos e tomada de conhecimento de problemas eventualmente existentes.
Ainda assim, no depoimento de uma diretora presente, o problema mais grave que enfrenta – e isso, em seu entender, pode ser estendido ao conjunto do segmento, é ver seu cotidiano tomado pela resolução de problemas administrativo-estrututurais da escola. Em concreto, isso significa tanto correr atrás de contratação temporária de servidores para a portaria, para a merenda e outras funções, como entrar em sala de aula para a substituição de um professo faltoso ou sem substituto e mesmo, conseguir verba emergencial para reparos em equipamentos.
Parte importante dos problemas enfrentados são decorrentes de decisões governamentais que não são acompanhadas de medidas que as viabilizem. todos reconhecem ser correto o cumprimento dos direitos dos alunos com necessidades especiais. Mas a matrícula de um cadeirante deve ser acompanhada de adaptações na arquitetura do prédio. Caso contrário, e há exemplo disso, o cotidiano desse aluno, de seus colegas, dos professores e da própria diretoria deve incorporar a rotina de carrega-lo não apenas ao subir as escadas, mas em todas as situações em que a adaptabilidade não foi realizada.
Mas há outro campo de problemas que transforma o dia-a-dia da escola em espaço vazio de significados para os alunos e remete às responsabilidades dos diretores. Ele denuncia a ausência do professor, o cansaço com que ele chega para dar aulas, a lousa quebrada, as carteiras incômodas e nem sempre em boas condições, os computadores que não funcionam, os laboratórios em salas fechadas. Enfim, trata-se de um campo de questões que impõe uma reflexão sobre a relativa precariedade das condições em que a educação encontra-se no município.
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